sábado, 8 de fevereiro de 2014

As Borlas - Bol. 54

As Borlas
por Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira

O que serão as BORLAS? Será que ainda há alguém que se lembra das BORLAS nos funerais?
Pois bem, eu vou tentar explicar o que eram e qual a sua serventia.

As Borlas eram uns cordões, (pouco mais ou menos, como os que prende os cortinados interiores, de lado, nas janelas) e que nas pontas tinham uma borla. Antigamente essas borlas eram usadas nos funerais, mas só dos ricos!... 
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Dizem que antigamente não existiam cemitérios, e quando morria alguém eram enterrados em valados comunitários. Só os ricos é que eram enterrados no interior das Igrejas. Por isso, quando andaram a compor o caminho em Sendim da Igreja para cima, apareceram lá muitas ossadas humanas e no adro da nossa igreja também ainda hoje há lá muitas ossadas, já não falando, nas campas medievais. Diz a nossa Monografia que dentro da nossa Igreja eram lá enterrados as famílias dos Soeiros e Regos.
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E só a partir daí é que foram criados os cemitérios, mas quando morria alguém, embrulhavam-nas num lençol de linho, que teciam em casa e eram postas num esquife, para os levarem até ao cemitério e lá, eram tiradas do esquife e depositavam-nas diretamente na cova, porque não havia caixões, nem urnas. O esquife da nossa terra ficava guardado na Igreja Matriz, debaixo das escadas que sobem para o coro, à espera do próximo, até tínhamos dois, um que era mais chique, de boa madeira, que tem qualquer coisa em bronze, diz que esse era para levar os mais abastados, o outro é mais simples e de madeira fraquinha, diz-se que era para levar os pobres. A maioria das pessoas de hoje não conhecem, porque nunca os viram, mas ainda os podem ver, apesar de já serem muito velhinhos ainda existem e estão guardados na residência Paroquial.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A ROMARIA DE UM MENINO À SANTA LUZIA DE SENDIM - Bol. 54

A ROMARIA DE UM MENINO À 
SANTA LUZIA DE SENDIM

                                                             por  J.C. Pinto dos Santos



Com os meus três anitos, armava birra sempre que a minha tia Lurdes me fazia um babeiro novo de riscado às pintinhas azuis. Choramingava aos soluços, escorrendo de meus olhos lágrimas gordas, e berrava alto: “ Não quelo babeilo! Eu quelo sel um homem pai”. Em casa, todos se riam à gargalhada pois entendiam que eu não queria babeiros e queria ser um homem como o meu pai.
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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Santa Luzia 2013 - Boletim 54

Boletim 54
SANTA LUZIA 2013
fotografias
















quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Boletim 54

BOLETIM 54
está a chegar

- As Borlas
             por Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira

- Natal é quando o Sendinense quiser
             por Rafael Santana

- Romaria de um menino à Santa Luzia de Sendim
             por J. C. Pinto dos Santos

- Santa Luzia 2013
             fotografias

sábado, 18 de janeiro de 2014

Boletins Antigos - Nº 4 - 2000 - Uma personagem curiosa em Sendim, no século XIX

 Uma personagem curiosa em Sendim, no século XIX
 
 

       Em meados do Séc. XlX faleceu em Sendim um individuo de nome Christovam de Campos que, curiosamente terá sido um dos grandes malvados da Beira Alta, no ano de 1834.  
       Com boa casa e bastante instrução, frequentou o 3°Ano de Direito da Universidade de Coimbra, mas que abandonou devido àaua vida de constante e plena bacanal e com excessos de toda a casta.                               
       Devasso, ateu, imoral e turbolento. a sua casa foi, durante muitos uma das primeiras escolas  de desmoralização e impiedade desses tempos.                      
       Valente e rixoso, fazia parte de uma “alcateia" de valentões e desordeiros de Tabuaço, Moimenta  da Beira e Sendim, espancando e trucidando todos os que lhe apareciam pelo caminho, chegando a levar para as feiras e romarias, cargas de paus e espingardas, apenas com a intenção de maltratar todo o mundo! Este malvado foi administrador do concelho durante muitos anos!   
        Quem o visse e não o conhecesse, simpatizava com ele, porque esta "personagem" dava-se a conhecer como um perfeito cavalheiro, tratável e absequiador.  Mas isto eram apenas "intervalos lúcidos".
        Com esta vida da dissipações, deu cabo de grande parte da sua casa.                             
        Face a esta descrição de Pinho Leal (in ‘Portugal Antigo e Moderno”), seria porventura interessante saber onde se encontra sepultado Christovam de Campos. Não se encontrará no velho jazigo de granito existente no nosso cemitério? Já que esse sepulcro não possui identificação alguma. Não ficou Identificado porque foi uma pessoa  que não deixou recordações, devido ao elevado grau de malvadez? Ou estará enterrado no adro da Igreja? Local que se julgater sido o antigo cemitério. Qual terá sido a sua casa? Também seria interessante saber qual o edifício que terá servido de sua habitação.                                                                               
Pedro Teixeira              
Sendim, Fevereiro de 2000   
 

           
                            

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Boletins Antigos - nº 4 - 2000 - capa e editorial

Fevereiro de 2000



EDITORIAL

Neste novo ano regressamos à publicação do nosso boletim, com a regularidade que nos é possível.
Consideramos de muita importância cada registo, em forma de notícia, artigo ou opinião, publicados desde o 1.0 número; para além de cumprir a sua função divulgadora, o nosso boletim é "documento" que marca momentos das pessoas, da vida, da sociedade rural da nossa região.
O "porta-voz" da ARTT, tem, a nosso ver, respondido positivamente às expectativas criadas. Tem originado alguma polémica e discordância, o que consideramos um bom sinal de intervenção, suscitando a discussão de alguns temas e assuntos por nós abordados... a favor, contra.,. isso não tem importância; o importante é levar as pessoas a abordar determinados temas e assuntos que são nossos, acerca da nossa terra e da nossa gente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Capela de Nossa Senhora da Nazaré - Boletins Antigos - nº 3 - 1999

"ALERTA" CAPELA DE NOSSA SENHORA DA
NAZARÉ DESMORONOU
artigo de 1999



Esta capela é um dos elementos mais importantes constituintes da urbe de Sendim, e é com tristeza que hoje a vemos em plena ruína. Obra de 1663, implantada entre muros em terreno particular, apresenta os seus elementos arquitectónicos mais importantes na fachada principal: entrada de arco de volta inteira ladeado por interessante moldura em pedra, óculo central e curioso pequeno campanário na parte superior (peça que se encontra partida e caída no interior junto á ruína da sua cobertura totalmente.
Quando será a sua recuperação? Não sabemos! A nossa associação mostra-se interessada em colaborar na sua reconstrução. Para tal, lançamos este "alerta" e pedimos ao proprietário, Câmara, Junta de Freguesia e Igreja paroquial: Envolvam-se no socorro a este pequeno mas importante Monumento que se arrisca a cair por completo. Com mais um Inverno que aí vem surge o perigo de as infiltrações nos muros a descoberto levarem a capela à ruína total, o que tornará muito mais difícil a sua recuperação. Como medida urgente de protecção é necessário cobrir a actual ruína com um tolde ou um plástico de modo a impedir as causas da erosão.
De que maneira a devemos recuperar? Recuperar significa repor a sua forma original, rectificar as alterações e aplicação de materiais dissonantes à sua figura. Em nosso entender é necessário, na sua recuperação usar técnicas e materiais construtivos que mantenham um desenho de acordo com as suas características arquitectónicas. Reforçados no entanto por meios actuais apropriados. Em geral; teremos que renovar as alvenarias e cantarias necessárias com pedra da região, colar as peças de cantaria partida, aplicar uma cobertura de telha de canudo sobre estrutura de madeira convenientemente projectada. Seria bom voltarmos a vê-Ia com uma imagem do Sec. XVII. Só com um estudo que siga estes princípios a capela poderá expressar toda a sua "natureza". Voltar a ter a sua cor, a sua textura e espiritualidade merecedora do culto religioso.
AARTT disponibiliza - se para dar apoio técnico e lembra que pediu a classificação desta capela como imóvel de interesse concelhio. Aguardamos na esperança de não classificarmos "um monte de Pedras".

ARTT - Núcleo de Sendim

Senhora do Bom Despacho - Boletins Antigos - nº 3 - 1999

SENHORA  DO  BOM  DESPACHO

1999

Ao fundo da aldeia, numa capelinha
Onde se honra numa linda Senhora
Bom Bom Despacho, nossa Protectora
E p'ra lá chegar, tanto se caminha...

Quando o ano era muito quente
e no campo secava o que se semeou
A aldeia em peso em procissão rezou
E o milagre, deu-se de repente...

A Senhora ouviu as orações
Houve uma união de corações
e do céu nos continua a proteger

Uma capela votiva à volta d'aldeia
Um simples pensamento vem à ideia
com tal protecção, nada mal irá acontecer!

Isilda Teixeira
Lamego, 1-6-99

Associação Clube do Mato - Boletins Antigos - nº 3 - 1999

ASSOCIAÇÃO CLUBE DO MATO VISITA
O NÚCLEO DE SENDIM DA ARTT

OUTUBRO DE 1999

O Clube do Mato é uma associação sem fins lucrativos, de características eminentemente práticas, que pretende levar à consciencialização ambiental através da fruição plena e esclarecida dos grandes espaços naturais.
O Clube do Mato tem por objectivos gerais a promoção dos aspectos da ecologia, da preservação do ambiente e da utilização saudável dos espaços naturais, tendo por finalidade a melhoria da qualidade de vida num ambiente sadio e ecologicamente equilibrado.
O Clube do Mato pretende desenvolver a sua intervenção em ciclos de actividades temáticas, estruturadas a partir de uma formação inicial especializada em cada área de intervenção, que se irão materializando através da realização de acções de crescente ambição.
No feriado de 5 de Outubro, a direcçãodo Clube do Mato, visitou vários locais do nosso núcleo com o fim de conhecer as nossas potencialidades. Subimos aos castelos de Cabriz; fizemos o percurso ao longo do rio Távora e o percurso até Sendim pela estrada romana (caminho de Santo Ovídio). A paisagem, a natureza e os monumentos encheram de emoção o grupo levando-os a considerar estes lugares como de grande interesse para os fins da sua associação. E logo ficou decidido a realização de um percurso pedestre em conjunto com a ARTT para Maio do ano 2000, no qual serão desenvolvidas actividades de desportos radicais (escalada, Rapei, saídas de campo e trepa penedos)
Com esta visita ficou cumprido mais uma vez o objectivo de dar a conhecer a nossa região.


ARTT- Núcleo de Sendim
Outubro de 1999

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Uma Caminhada pelo Campo - Boletins antigos - nº 3 - 1999

Uma Caminhada pelo Campo
por Cíntia Vargas
em outubro de 1999



Era ainda cedo quando nós começámos a caminhada.
No grupo havia biólogos, arqueólogos, professores de História, Geografia, Inglês, Português, Educação Física, e pessoas com interesses pela preservação do nosso património e que gostam de turismo rural.

O sol despontava e nós, cheios de energia, não
imaginávamos o que iríamos encontrar.
Logo de início, ao caminharmos pelo vale de Sendim, encontrámos cerâmica romana, vestígios de uma civilização sobre a qual muito se tem ainda que descobrir. É bem possível que por baixo das vinhas, dos terrenos, e mesmo das casas de habitação, existam outros vestígios reveladores da presença dos romanos.
Passámos pelo caminho romano, e, embora grande parte se tenha já perdido, é de louvar o interesse que as pessoas da terra tiveram em manter este legado histórico. Trata-se de uma via bastante larga, com uma extensão algo considerável e muito bem conservada. Se fechássemos os olhos por instantes, bem podíamos imaginar que estávamos noutros tempos, perdidos entre o mundo romano e os caminhos medievais.
Junto à Igreja da antiga vila de Sendim, devem salientar-se os enterramentos de forma antropomórfica, característicos da Idade Média. São conhecidos dez, mas é impossível imaginar
quantos mais não existirão, agora soterrados pelo tempo e pela acção humana. Pensa-se que este cemitério terá sido utilizado ao longo de várias épocas.
Detivemo-nos uns instantes a descansar no pátio de um solar que se pensa ter sido habitado pelos Távoras, aquando da fuga daquela família, no reinado de D. José. O brasão em pedra que ali existe é algo diferente de outros brasões da família publicados em livros, pelo que nos fica a dúvida sobre a ligação da família dos Távoras ao local.
Há também 3 tipos de cruzeiros e várias fon
tes. Mais uma vez os naturais da região contaram aos forasteiros a lenda da Fonte do Poiameiro: "quem beber desta água casa na terra". Sorrindo ao feitiço da terra, lá fomos bebendo, pois osol apertava e a sede era muita.
Um pouco atrás, na Quinta do Bom Jardim, o Dr. Vítor Matos tinha falado um pouco sobre o carácter purificador da água e da sua associação à simbologia cristã.
Já na povoação, visitámos o forno da terra e a moagem que é um edifício que serve simultaneamente de habitação aos proprietários.
Mas Sendim ainda tem mais: tem a sua igreja, tem as quintas de São Martinho e do Bom Jardim, tem imensas gravuras e inscrições, tem um pelourinho como símbolo de autonomia
concelhia.
Sendim não prima apenas pelo aspecto histórico; prima também pelas suas gentes.
As refeições que tomámos, quer na Por: Cintia Vargas adega típica, quer no almoço conjunto, foram do melhor. Comida caseira de alta qualidade e de querer repetir sem olhar a dietas.
Juntando um património de vários séculos à simpatia do povo e à gastronomia da região, tem-se Sendim, uma aldeia perdida em terras de Trás-os-Montes.
Quer dizer, perdida não, porque nós já a encontrámos e a Associação dos Amigos da Região Tedo-Távora quer divulgara aldeia para que outros a conheçam. Mas é preciso agir com precaução, pois Sendim não pode perder as casas típicas, os vestígios seculares e tudo o resto em que ela prima.
Entre dois rios, brotando da rocha, nasceram tradições e paisagens que é preciso manter firme e preservar.
É para isso que servem os Amigos!