terça-feira, 11 de abril de 2017

"O SENHOR DA BOA MORTE" JUNTO A CABRIS... - Boletins antigos - nº8

Lugares do Nosso Património
"O SENHOR DA BOA MORTE" JUNTO A CABRIS

Por: Fernando Carlos Taveira Cardoso Teixeira
(Março de 2002)


      A nossa região é rica em lugares e imóveis com grande interesse patrimonial. Estes espaços e construções são muitas vezes desconhecidos pelos próprios locais. E sempre bom lembrar que fazem parte de uma memória viva dos nossos antepassados. Muilos deles pertenceram às nossas próprias famílias. Falo deste modo por pensar que a nossa sociedade preserva o espírito e a essência da família, mas muitas vezes ignora as obras arquitetónicas, culturais e sociais que os nossos antepassados com muito esforço e dedicação fizeram. E esta incoerência que, ao mesmo tempo com outros fatores, tem levado ao esquecimento de setores tradicionais da nossa economia, da degradação da nossa paisagem e da nossa cultura local. É com muita mágoa que vemos constantemente a destruição da paisagem tradicional, nomeadamente, através do retirar de pedras de antigos muros que ladeiam caminhos e lugares, muitos deles remon­tando aos primórdios da nacionalidade. E há mesmo casos em que essas pedras carregadas de história são vendidas aos nossos Irmãos Espanhóis?!
      Também existem zonas de explo­ração, as pedreiras... Estes locais depois
de explorados, são muitas vezes abandonados, tornando-se feridas na paisagem, como aconteceu com a pe­dreira da Barragem do Vilar que desde os anos quarenta assim permanece.
      Muitos mais exemplos poderíamos citar, mas, a ideia deste artigo é divulgar o património, por isso, hoje apresento-vos um lugar encantador: “O Senhor da Boa Morte”, junto a Cabris. A existên­cia deste lugar deve-se, segundo explicação de populares, à necessidade do povo de Cabris guardar o pão junto à Quinta do Pinheiro, lugar que tinha uma grande eira que hoje se encontra completamente abandonado.
         Este conjunto arquitectónico apre­senta-nos uma expressão popular e rústica com a aplicação e utilização de materiais vernaculares. Os edifícios são rasteiros, de pequena escala, ladeando caminhos rurais, adaptando-se perfeita­mente ao terreno e paisagem. As pedras que constituem as casas assentam sobre penedos como se fossem um prolonga­mento da natureza. Apenas se vê no rude murado de granito destas edificações uma pequena porta de madeira, tosca e envelhecido pelo tempo. As coberturas dc duas águas são como delicadas mantas cobrindo um único espaço forçosamente tornado rectilíneo através do esforço e vontade humana de dominar esta natureza agreste.



     Este conjunto arquitetónico faz-me lembrar habitações pré-históricas, construídas por pedras arranjadas e travadas por cunhais toscos e rudes. Estes palhais formaram um aglomerado ao serem construídos encostados com o aproveitamento de paredes “meias”. Ao mesmo tempo, acrescentaram a estes palhais pequenas cercas, como se estas construções estendessem dois fortes braços murados, onde se abre um portal...
         Há cerca de dois anos, rompeu-se uma nova estrada que arrasou por completo o antigo caminho medieval, que dava acesso a este lugar. A visita agora tomou-se mais fácil pois podemos ir ali de carro... Por enquanto, restam os “palhais”, não sabemos se por muito tempo. Pois o acesso fácil pode, por um lado, levar a um bom aproveitamento turístico deste conjunto, mas também pode conduzir à sua total destruição.
         Foi pena não se ter mantido aquele caminho dc pedras medievais. Sentiríamos com maior rigor o tempo daquele sítio e seria uma mais valia para o património da nossa região…

Boletim 67

O boletim 67 chegou...



CENTRO CULTURAL DE SENDIM
          Rafael Santana

SAUDADES DO MEU QUERIDO PAI
          Maria Adelaide Aguiar

O RAMBÓIA, Homenagem a António Soeiro Santana
           Carlos Cravo

TRADIÇÕES, USOS E COSTUMES DE SENDIM
          Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira

FAMÍLIA DE CAMPOS COELHO - Sendim - Tabuaço - II parte
          João lena Campos

ENCONTRO DE GRUPOS CORAIS EM SENDIM
          Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira

quarta-feira, 1 de março de 2017

A Magia do Arrojo - Boletins Antigos - Bol. 8

A MAGIA DO ARROJO
Por: Arlindo de Sousa
(Março de 2002)

         Hoje, em Chão Fértil, quase toda a gente possui terra. Mas, a maior parte dos novos titulares deixou de a cultivar, porque, devido à integração de Portugal na União Europeia, a agricultura, em Chão Fértil, tecnicamente ainda feita em moldes não muito diferentes da laboração agrícola característica da Idade Média, deixou de ser rentável. Por outro Lado, a maior parte dos novos donos da terra ainda estão emigrados no estrangeiro. E quando voltam, já gastos e cansados, a única coisa que lhes apetece é viver calmamente da reforma, considerada alta se comparada com a que, em igualdade de circunstâncias, obteriam trabalhando em Portugal. Quando muito, lá vão cultivando umas hortaliças para consumo próprio, ou desenvolvendo uma actividade agrícola teimosamente retrógrada com pouquíssima ou nenhuma expressão económica.
         Como resultado de tudo isto, o matagal avança e a terra de cultivo vai recuando..., recuando..., recuando... A população continua a emigrar para as cidades, para a Europa..., enfim, para onde pode...
         A ideia corrente e fatalista é a de que, face à concorrência dos nossos parceiros europeus, tentar viver da agricultura em Chão Fértil é o mesmo que insistir em dar vida a um gato morto.
         Quanto aos filhos dos emigrantes, a maior parte deles nascidos no estrangeiro onde constituíram família e trabalham, enquanto os pais são vivos, ainda os visitam.., ou vice-versa. Mas, quando os seus progenitores desaparecem..., perdem quase invariavelmente também o contacto com a terra dos seus ancestrais. Em apoio deste raciocínio, diremos apenas que a população de Chão Fértil lá está cada vez mais envelhecida e continua a diminuir..., a diminuir..., a diminuir... E não pára de aumentar o número de lugares abandonados e casas e ruas desertas, onde só já vivem, passeiam ou predominam gatos, ratos e fantasmas...! No dizer expressivo das pessoas, que até ver ainda vivem em Chão Fértil, “em tais sítios, bem podem para lá matar um homem que ninguém lhe acode”.
         Lamentavelmente, ninguém em Chão Fértil parece apostado em tentar inverter a situação de crise que ameaça a existência da sua terra. Numa atitude de egoísmo extremo ou ausência de formação de que colectivamente somos todos responsáveis, toda a gente parece viver o presente sem se preocupar com o futuro. O dinheiro que trazem ou recebem do estrangeiro aplicam-no apenas na realização do sonho mais caro à maior parte deles — a construção de uma casa normalmen­te colossal em tamanho, ostentação e desenquadramento urbanístico.
         Concretizado o que parece constituir o desejo máximo da sua vida, não revelam qualquer capacidade de empreendimento produtivo, parecendo completamente destituídos de imaginação e criatividade em matéria de investimento.
         Será que não estaremos em presença de um grave e acentuado déficit educacional, que ainda não conseguiu apagar, no espírito da gente de Chão Fértil, o vício histórico de, em vez de criar riqueza na sua própria terra, só ser capaz de partir por esse mundo fora à procura de melhores condições de vida? Sabe-se que nalgumas terras da Região Tedo­-Távora e mesmo de toda a Beira, para não falar de muitas outras regiões do pais, há quem já esteja a tentar outras saídas (turismo rural; agro-turismo; artesanato; agricultura biológica; etc.), com vista à renovação económica das suas aldeias. Por en­quanto, o número de casos de sucesso ainda não é muito visível..., mas a verdade é que esses portugueses já começaram a sonhar e a tentar con­cretizar o seu sonho de desenvolvimento e revitalização económica. E isso é muito importante! Como disse Goethe, o maior poeta de língua alemã que viveu entre 1749 e 1832, “O que quer que seja que possa fazer ou sonhe fazer, faça. O arrojo tem génio, poder e magia”.


Excerto do romance “Raízes dispersas”, de
Arlindo de Sousa, publicado em

www.educare.pt/NTNP/pdf/Trab 17.pdf.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Semana Santa em Sendim - Boletins Antigos - Bol. 8

SEMANA  SANTA  EM  SENDIM
Por: Carlos Cravo

(Março de 2002)



            Esta é uma tradição que vem de há muitos anos, em Sendim, -- os festejos da Semana Santa ou as Celebrações das Endoenças. Tradição muito difundida, sobretudo nos sécs. XVIII e XIX, por muitas povoações da nossa região e do nosso país, à qual Sendim não fugiu à regra. Houve um certo esmorecimento destas celebrações, sobretudo a partir de meados do séc. XX, restando, no caso de Sendim, a Via Sacra em forma de procissão (ida ao Calvário), seguindo o percurso das 14 estações pelas ruas da povoação em direcção ao "Calvário" (lugar situado no cimo da Vila, quase no topo da serra). Esta Via Sacra é acompanhada por cânticos entoados separadamente pelo coro dos homens e pelo coro feminino, com um cariz musical medieval que lembra o canto chão ou canto gregoriano numa linha melódica bastante melismática. É sem dúvida uma herança do nosso folclore musical e religioso que é importante preservar pela sua riqueza e peso antropológico de tradição musical e religiosa. Esta Via Sacra, com estes cantares, ao contrário de outras celebrações da Semana Santa, é única e incomparada a outras cerimónias; o que valoriza o seu interesse e importância.
            Quanto à tradição da Semana Santa e suas celebrações, comum em muitas povoações, embora sob formas diferentes, penso que nesta povoação de Sendim ela teve e tem um peso maior na tradição e na vivência da fé comunitária herdada dos nossos antepassados. É possível verificar em livros de contas da antiga Junta da Freguesia da Paróquia dos sécs. XVIII e XIX, que chegaram até nós, as despesas com as "celebrações das Endoenças", que provam o peso e importância que estes festejos tinham para os nossos antepassados.
            A palavra "endoença" tal como indulgência, vem do latim «indulgentia(m)». As indulgências (ou perdão) dos pecados eram dadas pelo clero aos penitentes, principalmente durante a Semana Santa. O sentido da palavra "endoenças" evoluiu para «cerimónias religiosas celebradas durante a Semana Santa». Embora muitas vezes e em alguns lugares se considere Endoenças simplesmente aos festejos de Quinta-feira Santa que inclui a Procissão do Encontro. Convém aqui lembrar que a Semana Santa vai desde o Domingo de Ramos até ao Domingo da Ressurreição ou Domingo de Páscoa. A seguir ao Domingo de Ramos vem a Segunda-feira Santa, Terça-feira Santa, Quarta-feira Santa, Quinta-feira Santa ou dia de Endoenças, Sexta-feira Santa ou Sexta-feira da Paixão, Sábado Santo ou Sábado Aleluia e finalmente Domingo de Páscoa ou Domingo da Ressurreição.







Festejos das Endoenças em Sendim

            Assim, desde o ano passado (2001) e com a nova Comissão Económica da Paróquia presidida pelo Senhor Padre Filipe, as celebrações das Endoenças ganharam um renovado e generoso interesse, num empenho, não só em recuperar tradições esquecidas ou quase esquecidas, como também em actualizar as celebrações em moldes de teor pastoral.

SEMANA  SANTA  2002

            Passado o DOMINGO  DE  RAMOS, em que os fiéis levaram ramos de oliveira e foram benzidos no adro da Igreja de Sendim antes da Santa Missa, seguiram-se as confissões na Quarta-feira Santa.
            Na QUINTA-FEIRA  SANTA, após a Missa da Comunhão Pascal, iniciada por volta das 15h 30m na Igreja Paroquial começaram propriamente os ofícios das Endoenças com a Via Sacra já habitual (conhecida como Ida ao Calvário) pelas ruas de Sendim em direcção ao Monte do Calvário. Nessa procissão seguem três cruzes: a primeira e maior é levada um pouco à frente pelos mais jovens; segundo a tradição deverá ser carregada pelos jovens mancebos que vão à inspecção militar nesse ano. Depois vem a cruz média que encabeça a procissão logo seguida do grupo dos homens. Esta procissão é dividida pela cruz mais pequena que vem junto ao padre e divide o grupo dos homens do grupo das mulheres. A cruz mais pequena pára junto às cruzes de pedra que se encontram ao longo do percurso a marcar as estações. Durante o percurso, no andamento entre as estações vão-se entoando os tais cânticos já referidos que passo agora a transcrever:

            Mulheres:      Virgem Mãe de Deus e Mãe Nossa,
                                   Tende de Nós Misericórdia!

            Homens:         Senhor Deus e Pai Nosso,
                                   Tende de Nós Misericórdia.
           





            No "Monte do Calvário" cada cruz da procissão fica encostada a cada uma das três cruzes de pedra erguidas no Calvário. Após terminar a Via Sacra e as crianças terem recolhido seixos suficientes para encherem os bolsos (os seixos abundam naquele serro e segundo a tradição, os que forem recolhidos durante as cerimónias da Via Sacra servem para afugentar os perigos da trovoada e outros males). Segue a procissão, organizada da mesma forma, em direcção À Igreja, pelo caminho mais rápido e sem interrupções. Durante este percurso os homens vão entoando os Martírios do Senhor com refrão repetido pelas mulheres.
            Após a Via Sacra iniciou-se a Procissão do Encontro, ainda no lugar de Sendim. Com figurantes, dois andores (Nossa Senhora da Soledade e Senhor da Agonia ou Senhor dos Passos), que seguindo percursos diferentes deu-se o Encontro no Largo do Pelourinho durante um excelente e mui apropriado "Sermão do Encontro" pregado pelo Senhor Padre Filipe. Esta procissão foi ainda abrilhantada pelos sons musicais da Banda de Música de Sendim e pela Manuela que "encarnou" e muito bem o papel de Verónica, entoando durante o percurso, e em latim: " -Ó vós que passais, junto a mim pelo caminho, olhai e vê-de se há dor igual à minha!...", transportando o sudário com o rosto de Cristo estampado.
            Na SEXTA-FEIRA, pelas 9h 30m da manhã, ainda na Igreja Matriz, fizeram-se os ofícios religiosos próprios do dia com adoração da Santa Cruz, seguidamente houve a Ida ao Calvário, Via Sacra nos moldes do dia anterior. Ao fim da tarde, pelas 18h, realizou-se a Procissão do Enterro ou do Senhor Morto. Desta vez nos lugares de Aldeia e de Paço; saindo da Capela da Santa Bárbara seguindo pelas ruas de Aldeia e Paço, terminando na Capela de S. Miguel, mais conhecida por Capela de Paço. A procissão era constituída por vários figurantes, os andores do Senhor Morto e Da Nossa Senhora da Soledade. À semelhança do dia anterior foi abrilhantada pelos sons melancólicos e tristes de marchas fúnebres interpretadas pela Banda de Música de Sendim com paragens onde se ouvia a entoação lamentosa em latim de Verónica.
            No SÁBADO  SANTO (antes designado por Sábado Aleluia), foi celebrada por volta das 9h 30m a Vigília Pascal na Capela de Paço. Começando com a Benção do Lume Novo no exterior. Acendendo-se o Círio Pascal com lume novo. Fez-se também a benção da Água Benta com água nova. A Santa Missa começa e, na altura do "Glória" os sinos tocam a Aleluia da Ressurreição.

            Esperemos que estas Cerimónias se mantenham nos anos seguintes, e a par do engalanamento das ruas de Sendim com bandeiras apropriadas durante a Quaresma se divulgue este evento valendo pelas características próprias e únicas que envolvem as Celebrações de Endoenças ou Semana Santa de Sendim.





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Em Tempos Medievais - Boletins Antigos - Bol. 8

EM TEMPOS MEDIEVAIS
Por: António de Távora
(2002)



         O cavaleiro empunhou a sua espada, aproximando-se do inimigo e, com um violento golpe, derrubou-o sobre o terreiro. Os monges ergue­ram a voz em penitência e o bobo agarrou-se ao cunhal da capela, amedrontado e vermelho.
         Eis que o sino tocou e, de imedia­to, a luta heróica atirava o guerreiro contra a violência da morte. Mas, inesperadamente, uma vós ouviu-se:
BASTA”...
         Um castelhano convidou uma dama para dançar... Comprem, comprem! São 5 reais... A feiticeira, os socos, o pão, a sopa..., tudo a condizer com a Idade Média! Ao anoitecer, o Lobisomem percorreu a feira alumiada por achas acesas, fa­zendo-nos reviver os tempos medievais num local como o Terreiro das Freiras que, atualmente, se anima com o homem do nosso século...



         Foi de facto um espectáculo notável: a magia, a ilusão, a música e o cenário completaram aquela tarde de sol e de temperatura amena. As personagens envolveram o públi­co, a gastronomia deleitou os mais gulosos. E os objetos!? Moedas, capacetes, cobras secas em frascos, tendas, espadas, animais, cálices de prata... As vestes! Vimos princesas e nobres, cavaleiros e anciãos, por momento o tempo tinha parado e a ilusão descontraiu-nos com a vontade de que aquele tempo voltasse...



         O evento decorreu na semana cul­tural organizada pela escola Secun­dária Dr. Joaquim Dias Rebelo. Citan­do as palavras dos organizadores: ”(...) A recriação da feira medieval implica uma viagem ao passado. O bulício dos mercados populares, os pregões dos bufarinheiros e dos almocreves, os arremessos dos trões cruzando-se com as músicas dos menestréis por sobre o burburinho da rija populaça debruçando-se nas bancas dos mesteirais. Pediu-se aos visitantes a necessária adesão àquela viagem para que não vejam as per­sonagens como pessoas do presente mas como figuras do passado, com características e maneiras que hoje já podem estar em desuso mas que eram comuns na Idade Média.(...)”
           Esta actividade, a que assistimos, contribuiu para a vivência do patrimó­nio da nossa região. O local escolhido é um espaço recuperado onde se im­plantam os edifícios mais importantes de Moimenta da Beira. Destaque-se o magnífico convento das freiras, cuja capela ostenta um belíssimo altar-mor em talha dourada e as paredes deco­radas com azulejos da época. Tam­bém o solar dos Guedes de fachada imponente de ricas cantarias traba­lhadas e de brasão ao cimo enqua­drou, como “Monumento”, aquele es­petáculo. O seu interior está comple­tamente reformulado. A espiritua­lidade da época daquele edifício apenas se revela nos tetos das salas superiores abobadadas e com pintu­ras barrocas. Em redor do restante terreiro desenvolvem-se, implan­tados, outros edifícios da época com uma forte e determinante presença urbana. As suas fachadas brancas, com janelas emolduradas a granito da região, sobressaem ao sol cativando o nosso olhar sempre que por ali passamos.



           É de lamentar que outros espaços daquela Vila não se encontrem também totalmente recuperados. As fachadas do largo do Tabolado mereciam igualmente um tratamento especial. É pena que este centro tenha sido desfigurado ao longo do século anterior.
           Outros locais e imóveis desta vila poderiam também ser recuperados como as Fontainhas e ruelas contí­guas.

         E é bom lembrar outros monu­mentos importantes do concelho, como a condenada antiga Igreja dos Arcozelos e o Magnifico Convento de S. Francisco que aguardam, há largos anos, a palavra “BASTA”!...


Manuel Aleijado - Personagens da nossa terra - Boletins Antigos (Bol. 8)

Personagens da Nossa Terra
“O Manuel Aleijado”

     Por: Fernando Licínio Cardoso Teixeira
(Março de 2002)


      Existiu no século passado na nossa Fre­guesia o Senhor Manuel Monteiro, conhecido por “Manuel Aleijado” por ser aleijado dos membros inferiores. Movia-se com duas muletas de pau rijo, construídas em freixo ou amieiro. Na parte de baixo destas muletas estava pregada uma brocha e no cimo do pau havia um sistema de encaixe, que ele colocava debaixo dos braços. Graças a este sistema o homem movia-se com facilidade e rapidez com um balancear muito próprio.
O “Manuel Aleijado” era soqueiro: fazia do pau de Amieiro perfeitas formas que encaixavam nas “empanhas” das botas e socos. Os socos feitos por ele permitiam um belo andar e os pés raramente arrefeciam.
         Recordo-me, era ainda criança, que passávamos entretidos algum tempo a ver fazer essas formas que saiam das mãos habilidosas daquele artista. Por vezes, recebíamos uma forma de soco pequena, com que adorávamos brincar. O seu local de trabalho era a frente da sua casa. Como hoje, estou a vê-lo naquele tempo sentado numa pedra, ao sol, com um aparelho feito de madeira, no qual batia na madeira teimosamente, proporcionando-nos a possibilidade de admirar a beleza do seu trabalho.
         Era um homem com boa disposição e muito alegre. Frequentava habitualmente a antiga taberna da Sra. Conceição, conhecida também por “Isaltina”. Por vezes, metiam-se com ele e na brincadeira ou mais a sério “trabalhava a muleta” contra os garotos que fugiam a sete pés.
         Quando o material faltava para o seu trabalho, sendo inverno ou verão, deslocava-se à beira do Rio Távora. Com ele caminhavam duas burras, para carregarem a madeira de amieiro que ao longo dos anos ia nascendo, nas terras molhadas, ao longo do leito do rio.
         A profissão minuciosa e uma grande energia deram-lhe um razoável viver, que gozou durante muitos anos com a mulher e três filhos.
         Nos tempos de hoje, esta profissão perdeu-se no tempo; agora apenas vemos socos feitos por máquinas e o som do seu bater na calçada da nossa aldeia, apenas se sente na saudade das nossas recordações...

sábado, 11 de fevereiro de 2017

FESTA DE NATAL DA FREGUESIA DE SENDIM - Bol. 66

FESTA DE NATAL DA FREGUESIA DE SENDIM



A Junta de Freguesia de Sendim, realizou pelo 4º ano consecutivo a festa de Natal da Freguesia de Sendim... Como tem sido hábito manteve-se a aposta na cultura que tem caracterizado os diversos eventos realizados... Nem só de obras pode viver um povo se a cultura não estiver presente nas nossas vidas... Este ano devido ao calendário não permitir que a festa se realizasse em pleno fim de semana, realizou-se apenas no dia 30/12/2017 pelas 21:00h a entrega de presentes às crianças da "EB1 de Sendim" seguido de um concerto por parte da Orquestra Cem Notas de Moimenta da Beira. 
Nesta época festiva A Vila de Sendim saudou os Sendinenses e os visitantes com novas iluminações Natalícias onde se poderia ler "Sendim deseja Boas Festas"... Um agradecimento a todos os que ajudaram a realizar os arcos, principalmente ao seu obreiro principal o Manuel Santana... 

Um excelente 2017 para todos... 

Rafael Santana









Quando deixei a minha terra e parti para além fronteiras - Bol. 66

Quando deixei a minha terra e parti para além fronteiras

UM TESTEMUNHO
Fernando Santana

Emigrei para a Suíça  na década de 90, como tantos os Portugueses que tiveram de emigrar em busca de uma vida melhor, deixando para trás  a família e os amigos.
Ao  chegar à Suíça enfrentei um mundo muito diferente  do meu em Portugal. Foi muito difícil a adaptação num país com uma cultura totalmente diferente da nossa. Muitas vezes, à noite, quando regressava do trabalho dizia para a minha esposa: “não aguento mais!” e ia para o quarto, punha a mala em cima da cama e com lágrimas nos olhos fazia a mala e dizia-lhe: “Não aguento mais, vou-me embora, eu não gosto disto! Se quiseres vir comigo para Portugal  lá também podemos ser muito felizes…” Mas ela falava comigo: “Vamos aguentar mais um tempo, vais ver que essas saudades vão passar…” E era assim, vezes sem conta eu fazia mala e ela desfazia.
Os primeiros meses chorei muito com saudades de tudo que deixei  para trás, saudades da minha querida Aldeia que me viu nascer e crescer.
No entanto o tempo foi passando e tudo começou parece-me diferente. Comecei a integrar-me mais na comunidade Suíça, a aprender a  língua Alemã que era muito complicada!
Hoje em dia vejo as coisas de maneira diferente sinto-me feliz com a minha família, os meus filhos aqui nasceram, aqui cresceram e já se formaram.   Mas claro que continuo  sempre com muitas saudades do meu Portugal e da minha querida terrinha, esperando que chegue o mês de férias para poder matar saudades de toda a família e amigos.
(texto na íntegra)
Fernando Santana - atualmente


Fernando Santana - quando emigrou para a Suiça


SANTA MARIA DE SENDIM - Bol. 66

SANTA MARIA DE SENDIM
Por: Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira


        Todos os Sendinenses sabem que a atual Padroeira de Sendim é a Nossa Senhora do Pranto, mas não é só a de Sendim, também é de Guedieiros e Cabriz, porque Ela é a Padroeira Paroquial. No entanto Guedieiros tem como Patrono o São Marcos Evangelista e Cabriz tem como Patrona Santa Maria Madalena. Mas Padroeira só há uma na Paróquia, que está na Igreja Matriz  no altar-mor do lado esquerdo.

         Reza a História Sendinense, que no dia 14/03/1538 a nossa Igreja era designada por a Igreja de Santa Maria de Sendim e a nossa Padroeira, era mesmo Santa Maria de Sendim. Temos muitas provas em como isso era verdade. Ainda hoje se pode comprovar na História do Episcopado de Lamego. E na Igreja Matriz ainda existem vários vestígios, como por exemplo: um guião antigo das procissões que tem as iniciais de Santa Maria de Sendim.
(...)





          
(...)
           Há pouco tempo encontrou-se no armário da Sacristia uma velha coroa de prata, mas toda partida e oxidada. Depois de bem analisada, verificamos que era a coroa da nossa antiga Padroeira, Santa Maria de Sendim, visto ter no cimo o Pelicano com as asas abertas, que é o símbolo da nossa Igreja. Antigamente existia também um pelicano em pedra, por cima da porta de entrada da nossa Igreja, desde a sua construção. Segundo conta a história da Igreja, que um dia, um trovão acompanhado de um raio ou faísca, como não existia pára raios, foi atraída aos sinos de bronze da igreja. Deu grandes prejuízos e também partiu esse pelicano de pedra, que ainda hoje se encontra em pedaços na sacristia, mas que vai ser reparado e reposto no lugar, assim que for possível. 
(...)






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

BOLETIM 66

O  boletim  66 chegou...



- Homenagem à minha amiga do coração Lúcia Gomes
          por Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira

- Quando deixei a minha terra e parti para além fronteiras - testemunho
          por Fernando Santana

- Festa de Natal da Freguesia de Sendim
          por Rafael Santana

- Natal é quando a idade quiser
          por Jorge Santos

- Família de campos Coelho - Sendim - Tabuaço
          por João Campos

- Santa Maria de Sendim
          por Maria Lisete Soeiro Coelho Ferreira