domingo, 11 de maio de 2014

Depois do fogo. E agora...! - Verão de 2000 - Bol Antigos - nº 6

DEPOIS DO FOGO. E AGORA...!
por Fernando Licínio
VERÃO DE 2000


         Quando da criação deste boletim e desta asso­ciação, foi apadrinhada uma bela paisagem, desde o rio Tedo ao rio Távora. Belas montanhas e vales, tudo era verde devido à vegetação que ali havia. Por esses lugares podíamos visitar monumentos históricos e contemplar a paisagem.
           De repente, mal o calor apertou, vieram os incêndios que devoraram toda esta região. O fogo principiou na Granja do Tedo. Ninguém foi capaz de o parar até ao rio Távora. Ultrapassou cami­nhos, estradas, searas e tudo o que se encontrava no seu caminho foi devorado.
       Os célebres palhais, que foram feitos pelos nossos antepassados para guardar apetrechos agrícolas e lenha, foram também devorados pelo Fogo. A Quinta do Jardim, que já tinha ardido pelo menos duas vezes, foi novamente devorada pelas chamas. A Quinta do Casal, que continha olivais e vinhas e a Quinta do Pinheiro, desapareceram quase por completo. Esta Quinta, dá-me muitas saudades, era ali que o povo de Cabris se juntava para debulhar o milho. Os irmãos Monteiro, seus donos, eram uma simpatia! Quando lá trabalháva­mos, serviam-nos belas refeições, e todos nós lá comíamos com gosto! A comida era feita pelas mulheres com alegria e boa disposição. Durante as refeições cortavam-se belas passagens da vida que nos faziam rir. Os bailes que ali se faziam ao som do harmónico divertiam-nos imenso. No seu tempo esta Quinta era das mais célebres, agora só restam dela ruínas.
       Toda esta desgraça me faz perguntar: E agora!? O que será desta paisagem, dos Castelos de Cabris, do Monte Verde e das nossas serras. Tudo se encontra rapado, pois os pinheiros, mesmo ardidos, já foram cortados e vendidos. Daqui pra a frente, só vão nascer silvas e giestas.
       O que será dos nossos nascentes? Como não há vegetação, por mais que chova, a água corre para os ribeiros e não se fixa no interior da terra, arrastando tudo e deixando os penedos totalmente lavados. Com tantos incêndios estamos a tornar esta região um autêntico deserto...
Fernando Licínio




quinta-feira, 1 de maio de 2014

A FONTE DA VILA - Boletins Antigos - Bol Nº 6 - ano de 2001

Descoberta no Passeio pela Aldeia
A FONTE DA VILA
por Fernando Carlos Taveira Cardoso Teixeira
Verão de 2000




         Na entrada norte da antiga Vila de Sendim, pisámos umas antigas pedras romanas que constituem o caminho de Santo Ovídio. À chegada, passámos a primeira casa, cortámos à direita e fo­mos dar com um carreiro que nos levou a uns quintais. Mais à frente, depois de passarmos o ribeiro, encontrámos uma surpreendente fonte. O próprio caminho que percorríamos, transmitia história, porque ali se encontravam espalhados pelo chão restos de antiga cerâmica caseira.
Entrada Norte da Vila de Sendim
Caminho de Santo Ovídio

Fonte da vila no dia em que a visitei 
pela primeira vez

       O enquadramento daquele lugar é feito por antigos castanheiros e por murados de granito constituídos por pedras soltas, arranjadas e recolhidas no meio dos campos. O terreno é formado por socalcos que compõem a encosta. A primeira vez que ali fui, a fonte encontrava-se praticamente invisível pela abundância de silvas que cresceram em seu redor. Atualmente, e graças a uma limpeza, podemos observar toda a sua beleza.

Casa de elementos medievais à entrada
de Sendim junto ao caminho que a leva 
à fonte

Esta casa aparenta ter sido sujeita a várias modificações, tem no entanto sinais de portas com cantaria de características Medievais. As ombreiras e vergas, são quinadas nas arestas. O que é comum a construções dessa época existentes na nossa região. Também o cunhal que vemos em primeiro plano apresenta uma cantaria muito antiga. É pena o estado de conservação da casa, que mesmo assim tem uma arquitetura de valor importante para o local.

Casa em 2014

Esta fonte deve ser a mais antiga que por aqui encontramos. É uma fonte de mergulho, onde empregaram um arco em ogiva, de características medievais, que guarda, no seu interior, um pequeno tanque cheio de água. O tanque, o mura­do do fundo e a pequena abóbada foram construídos por cantaria relativamente bem talhada. À sua volta, lateral e superiormente, encontramos um tosco amontoado de pedras que envolvem a fonte. Esta situação é curiosa, podendo mesmo fazer-nos pensar que o monte de pedras resultou da demolição do que poderia ter sido um complemento arquitetónico da fonte, ou o resto de um pequeno edifício que a continha.

Fonte da Vila depois da limpeza
efetuada pela Junta de Freguesia de
Sendim

A sua localização manteve esta anti­guidade, longe de muitos olhares, e por isso para muitos continua desconhecida. É no entanto um elemento muito impor­tante do património de Sendirn, por apre­sentar um arco em ogiva. São poucas no país as fontes que eu conheço com estas características. Existe uma aqui perto, em Aguiar da Beira, classificada e integrada no núcleo medieval da vila. Não deveria a nossa também ser classificada como monumento de interesse concelhio?

Sendim, Verão de 2000
Fernando Carlos Taveira Cardoso Teixeira
Fotografia:
António José Teixeira Silva


FONTE DA VILA E ENVOLVÊNCIA EM 2013:














quarta-feira, 30 de abril de 2014

BOLETIM Nº 6 - Boletins antigos - Março de 2001

BOLETIM Nº 6
(Boletins Antigos)
Março de 2001
EDITORIAL


domingo, 27 de abril de 2014

ESCREVA NO BOLETIM A.R.T.T.


carlitoscravo@gmail.com

Intenções de um Projeto para FUTURA SEDE DA A.R.T.T. - boletins antigos - nº 5 - ano 2000

Intenções de um Projeto para FUTURA SEDE DA A.R.T.T. - boletins antigos - nº 5 - Julho de 2000


  Um dos objetivos dera associação ter uma sede para apoio às atividades desenvolvidas na região, só com o apoio da Câmara Municipal, Junta de Freguesia e esforço dos sócios, o ato foi conseguido.
   A ARTT tem desenvolvido atividades de grande divulgação da região, tendo posto em prática três percursos por ano. Esta estratégia tem como ideia de fundo a humanização temporária do nosso espaço rural. O futuro edifício vem ao encontro desta necessidade de humanização. Quanto a nós, é a presença de pessoas que anima a sociedade local tal como a sua economia. As pessoas que nos visitam, são os grandes apreciadores do nosso património e da nossa paisagem. É por isso necessário ter uma estrutura de apoio digna a esta realidade. Por outro lado o nosso edifício será também um espaço aberto à comunidade local, ponto de contacto de gentes de fora e da região, local de divulgação da nossa cultura local. Por tudo isto foi importante adquirir uma casa de características regionais, com uma localização central num núcleo histórico importante da região.
   Escolhemos uma casa integrada no núcleo da antiga Vila de Sendim. Esta casa é construção dos anoa quarenta cuja sua tipologia se caracteriza como casa rural organizada em volta de um átrio. O volume habitacional contém dois pisos, em baixo a loja e adega, e em cima a habitação, com o seu interior organizado por dois grandes corredores definindo um T. Um, dando acesso cozinha e sala e outro dando acesso aos quartos. Os restantes espaços são constituídos por um coberto que guarda um tosco cortelho e um típico forno de lenha. O espaço de união destes volumes construídos é leito por urna pequena cavalariça cuja cobertura serve de terraço com acesso do átrio por escada de granito igual ao aplicado na construção. Esta casa, define um pequeno quarteirão, tendo várias aberturas para as ruas que a ladeiam e a sua força e presença no lugar é expressa pelos grandes blocos de granito nela aplicada, quase como uma fortaleza...
A sua localização está perto da Igreja Matriz de Sendim, dos Túmulos Antropomórficos, de casas Rústicas, de um antigo Solar a confina a norte com o antigo traçado da estrada Romana. Por outro lado, tem fácil acesso aos caminhos rústicos e medievais que caracterizam a zona. Está pedo da Serra, do Vale de Vila e Vale de Sendim, onde se encontram vestígios Romanos, quanto a nós de grande interesse.
Desta forma, consideramos que a referida casa se situa num ponto estratégico fundamental para dinamizar as nossas atividades culturais, com vista à defesa do património ambiental e histórico-cultural da região.

A pretensão de adquirir este imóvel vem já ao encontro do espírito da associação, uma vez que a sua recuperação valoriza o conjunto arquitetónico existente. Pretendemos manter todas as caraterísticas arquitetónicas e construtivas e reabilitar o edifício para uma nova função.

   O programa inclui a instalação de um Museu Arqueológico e etnográfico e de arte contemporânea, loja de artesanato e produtos locais, pequena biblioteca, cafetaria, espaço de reuniões, secretaria, espaço polivalente (para conferências, ações de formação, ateliers, exposições e convívio) e alojamento para sócios e pessoas que participem nas nossas atividades.
Julho de 2000
Associação da Região Tedo Távora

terça-feira, 22 de abril de 2014

NÓS, OS PIVETES DOS ANOS QUARENTA - Boletins Antigos - Nº 5 - ano 2000

NÓS, OS PIVETES DOS ANOS QUARENTA
por Ilídio Coelho


ET: PLURIBUS UNUM. Um por todos e todos por um.
Era esse o lema dos Fedelhos de palmo e meio do meu tempo, cuja sigla ostentávamos como ceptro na defesa de classe.
Era, unidos fraternalmente que nós; os meninos da rua, (passe o termo) praticávamos algumas travessuras; ainda que de pouca monta, por vezes nos causariam grandes dissabores, não fora a relação amistosa existente no seio do grupo dos pequenos “mosqueteiros” que respeitava religiosa­mente o pacto de sigilo, porque na verdade todos comungávamos dos mesmos ideais. Não pensem porém, que éramos um grupo organizado de rapa­zinhos malfeitores. Não… não éramos: nem sequer mal educados! Éramos sim; uns Pivetes um pouco irreverentes; talvez pelo facto do estarmos ansiosos em adquirirmos o estatuto de adultos.
Era já o senti­mento de superio­ridade que prevalecia na nossa mente e comandava a vontade que nos incitava a enveredar pelo caminho aventureiro dos mais velhos e seguir-lhes as pegadas.
Começávamos então a frequentar ainda que timidamente alguns bailari­cos, sem no entanto despertarmos grande atenção nas pomposas sertanejas, que só tinham olhares meigos e gestos carinhosos para os farsolas que lhes faziam a corte. Nós éramos uns pequenos galarós de crista alta que não perdíamos o ensejo de tentar o momento azado para arrastar a asa às frangotas mais arteiras.
Mas não eram os bailes que mais nos seduzia.
O    futebol era sem dúvida a nossa paixão predilecta; e a concepção deu-se a partir dos tempos da escola, quando nos recreios por tudo e por nada aprontávamos desafios com os quais vibrávamos imenso; ou não fossem eles disputados renhidamente entre equipas de Paço e de Aldeia. Os jogos eram então realizados com bolas de trapos no macadame da estrada, normalmente de pé descalço, com os dedos esborrachados.


Formara-se o embrião o introduzira­-se no sangue da miudagem e lá se desenvolveu; a partir daí, a bola era o pão nosso de cada dia. Também porque nos anos quarenta fora a revelação do futebol cm Aldeia de Sendim, e nós, a raia miúda, tínhamos grande admiração pelos jogadores da época, que penso serem os pioneiros, bem como os fundadores do Futebol Clube Sendi­nense.
Uma gama de futebolistas habilidosos e muito raçudos Desse tempo eu recordo os nomes do Horácio, Totó, Amílcar, Abílio, Hélder, Fernando, Raúl, Teófilo, Venceslau, João da Isaltina, Jaime, Antero, Manuel da Mabília, Aires, Forneiro e ou­tros que já se me arredaram da memória. Uma boa parte deles foram óptimos joga­dores e con­tribuíram com o seu esforço pa­ra enaltecer o nome do clube e da Terra. Quando tinham algum jogo con­siderado mais difícil, recorriam a alguns reforços extra-muros; como era o caso do guarda-redes Veiga, de Leomil e do defesa central Zé Macaco, de Moimenta da Beira. Após a Selecção “Maravilha”, arru­mar as botas, uma nova vaga de bons jogadores surgia na ribalta do F.C.S. Eramos nós; os Pivetes, que já nos anos cinquenta, dávamos cartas a jogar futebol. Tínha­mos então um lote de grandes futebo­listas: e cito como exemplo o Lelo, o Dr. Rogério, o Dr. Afonso, o João da Alegria, o Cautela, o Zé Grilo, o António Sequeira, o Zezinho de Isaltina, o Nar­ciso, eu, e outros mais que não cons­tam desta lista por manifesta falta de lembrança.
Confesso, que é com grande emoção que de vez em quando, através de uma obscura fresta da memória já dila­cerada pelo tempo, olho para trás e me curvo perante tais recordações ao descortinar nelas momentos inoIvidá­veis dos anos áureos da minha juventude.
E porque o coração me pede elevo a minha voz e proclamo bem alto… Bendita sejas tu ó minha Terra!... E Bem aventurados sejam os teus filhos para sempre.
Julho de 2000


segunda-feira, 21 de abril de 2014

PROFESSOR - Boletins antigos - nº 5 - ano 2000

O PROFESSOR
por Isilda Teixeira


Manhã cedo, caminha o Professor
Para cumprir a sua obrigação
Vai contente, pois leva por missão
Formar, educar e a seu favor

Tem naturalmente a pouca idade
Dos alunos, ávidas de saber
Atentos a quanto possam aprender
E há sempre, certa curiosidade!

Para que neles se possam despertar
O valor que só o estudo pode dar
É preciso ser mestre de eleição

Tenhamos fé num bom educador
Raízes dum futuro promissor
Se souberem semear, bons frutos colherão.
Lamego 25/07/00

Isilda Teixeira

QUANDO FALECEU O PÁROCO DE SENDIM - Bol. Antigos - nº 5 - ano 2000

Quando faleceu o Pároco da Freguesia de Sendim
por Maria Laura Sequeira


     No dia 4 de Julho (ano 2000) às 23 horas fa­leceu no Hospital de Lamego o Re­verendo Padre Dinis Soeiro Coelho.
     Nascido na Granjinha a 10 de Fevereiro de 1924, era o mais velho dos dez irmãos ainda vivos, filhos de Belarmino Soeiro Coelho e de Teresa de Jesus Soeiro. Este casal humilde, mas muito católico quis que o seu primeiro filho se dedicasse ao serviço de Deus e do próximo. Para isso, de­pois de ter frequentado e concluído o ensino primário na escola da Granjinha, foi frequentar o seminário de Resende e depois o de Lamego. Foi ordenado sacerdote na Sé de Lamego no dia 29 de Junho de 1947 e celebrou a Missa Nova na sua terra natal no dia 12 de Julho do mesmo ano.
     Começou o seu ministério sacerdotal, com o coadjutor, em S. Marti­nho de Paus, sendo depois colocado na paróquia de Sendim, onde celebrou pela primeira vez no dia 25 de Dezembro de 1948. Durante 52 anos serviu com grandeza de coração, es­pírito de sacrifício, qualidades de renúncia e dedicação, os seus paroquianos de Sendim, Guedieiros e Cabriz.
 Conhecedor e cumpridor dos seus deveres, era urna pessoa muito culta, de grande bondade e dignidade humana. Viveu uma vida simples, mo­desta e humilde sem nunca ambi­cionar riquezas nem bens materiais, mas cheia de bens espirituais. Seguin­do os ensinamentos deixados por Jesus Cristo no Evangelho, a sua vida é uma referência para todos nós.
     Deus quis levá-lo para junto de Si onde goza já de Eterna Glória, Con­fortemos a família que chora com saudade e rezemos por ele mani­festando assim o nosso reconhecimento e amizade.

Julho de 2000

quarta-feira, 16 de abril de 2014

NO ENCALÇO DE UM FIM DE SEMANA DIFERENTE, COM MAIS ADRENALINA - Boletins antigos - Nº 5 - ano 2000

No encalço de um fim de semana diferente, com mais adrenalina
por Mª Cristina Araújo

      Não foi complicado chegar a Sendim.
Reunidos junto ao café Teixeira, em Lugar de Paço, preparamo-nos para iniciar o primeiro percurso prometido. Era grande a expectativa mas a chuva, quo não parava de cair, preocupava-nos.
      Iniciamos o percurso pedestre pela Rua dos Tornos de Arcos. Mais acima. na rua do Areal, pudemos observar, rasgada numa parede, uma janela de estiIo Manuelino. Um exemplar único.
     A subida era cada vez mais íngreme e a lama já fazia parte do nosso percurso. Apesar de não estarmos habituados a caminhos enlameados, na cidade tudo parece artificial, agradou-nos sobretudo o conjunto de odores que pairavam no ar bem como o postal natural que nos circundava.
       Na Fonte do Polameiro, só depois de provarmos a água que jorrava, soubemos que, segundo a tradição, quem dela bebesse acabaria por casar na terra. Foste nosso amigo, Teixeira.
Este passeio levou-nos por lugares encantados por onde a civilização e o progresso parecem tardar em chegar. Um refúgio ideal e indispensável para qualquer um de nós.

Na Quinta do Bom Jardim, desfru­tamos de uma vista magnífica para o Vale do Távora e Barragem do Vilar. Foi o local seleccionado para a fotografia de grupo. Apenas o aspecto degradante e abandonado das construções que aí ainda existem, quebra parte do encanto deste local.
Percorrida toda a Serra, alcançamos o núcleo histórico de Sendim. A sua Igreja Matriz (Stª Mª de Sendim) rompe na paisagem numa arquitectura simples e austera. Junto ao adro pudemos observar um conjunto de túmulos antropomórficos, característicos da Idade Média. Foi bastante interessante a visita ao interior da Igreja. Vários aspectos decorativos e arquitectónicos, ainda nos contam a sua história ao longo do tempo. Suscitou-me particular interesse a cruz que encima esta Igreja bem como a sua pequena torre sineira.
Por ruas estreitas, percorremos mais alguns metros até ao Solar onde dizem ter habitado os Távoras (distinta família Transmontana), aquando da sua fuga no reinado de D. José. Descansamos um pouco no respectivo pátio. É curioso a referência do brasão da família na frontaria do solar e que teria sido encoberto para que não os conseguissem identificar.

Pela Via romana, continuamos o nosso percurso. Algumas das suas pedras parecem não ter sofrido a erosão do tempo. Agora, sempre a descer, parecia mais simples. A certa altura o grupo dividiu-se, iniciando percursos distintos. Nós, os mais cansados, preferimos continuar a nossa caminhada pelo mais curto. Logo de seguida, porque o terreno se tornou um pouco mais acidentado, assustamo-nos com a queda aparatosa de uma colega. Mas tudo não passou de um pequeno susto.
Só voltamos a parar junto de um conjunto de túmulos e lagar romanos nos Vales de Vila e de Sendim.
Chegamos a Lugar de Paço ao cair da tarde. Era chegada a hora de um bom duche e de nos preparamos para o manjar prometido...
No Restaurante, a Tarraxa, agruparam-nos (45 pessoas) à volta de mesas improvisadas de tábuas corridas. Ao centro surge uma tarraxa de aspecto corroído. Os últimos a chegar, ganharam lugar de destaque em torno desta tarraxa. A pouco e pouco chegava a comidinha. Canja, Milhos de carne, carne de vaca grelhada com arroz de feijão e, para a sobremesa, arroz doce que, só pelo seu as­pecto, nos fazia crescer água na boca. No fim foi sorteado um presunto. Foi pena não ter chegado a Coimbra.

A malta assim arruma­da, lá foi depois para a aldeia de Cabriz, de barri­ga cheia.
Numa vivenda recuperada, acabamos a noite. Foi divertido. Ainda conseguimos dançar e cantar até às tantas… mesmo assim, recolhemos cedo. O dia seguinte iria ser tão cheio de aventura e adrenalina, quanto o primeiro.
No Domingo, bastante empolgados, iniciamos o dia com um percurso de car­ro até à Srª do Bom Despacho. Esta capela data do séc. XVIII e regista por­menores decorativos bastante interes­santes.
Descemos a pé até às margens do rio Távora, tendo permanecido durante algum tempo num lugar aprazível de nome o Contador. Dois Jovens de Rio Maior já tinham preparado todo o material para o Rappel. Nem todos tiveram a coragem necessária para descer a encosta em Rappel. Contudo, foi emocionante observar quem o fez.
Mais tarde faziam-se os preparativos necessários para o piquenique. A comida estava toda mui­to boa. As coste­letas grelhadas ao sabor do ven­to e na brasa improvisada, fez-­nos lembrar os tempos mais primitivos.
   A chuva vol­tava a cair mas com menos in­tensidade.
   Satisfeitos e de estômago cheio, após uma breve explicação iniciamos o restante percurso. Agora pela margem esquerda do rio, em fila, por caminhos estreitos, agrestes o por desbravar, foi possível sentir aquela adrenalina tão desejada e que muitas vezes nos fez suster a respiração.
   O percurso não foi simples. Contor­namos obstáculos criados pela própria natureza, atravessamos locais húmidos e escorregadios, precipícios que impunham um certo respeito e saltamos por rochedos. Todos chegaram ilesos à foz da Ribeira do Regato, apesar de alguns percalços em locais, cuja passagem, exigia mais coragem. No geral, foi o percurso que mais gostei. Deixo aqui um agradecimento ao Sr. Tojal que, durante o mesmo, nos revelou alguns dos segredos (lendas e crenças) desta zona. Surpreendeu-nos a sua vitalidade e a forma como transpôs todos estes obstáculos naturais com maior destreza que nós.
   Depressa chegamos a um local chamado Srª da Boa Morte. Ergue-se aqui um conjunto rural de aglomerados com características castrejas. Estas casas, construídas em alvenaria tosca com telha romana típica da região, servem actualmente para armazenar lenha, utensílios agrícolas, etc... Predomina neste local o Castanheiro.

   Cansados e desejosos de mais um duche quente, iniciamos a viagem para Tabuaço. Ainda antes de chegar ao destino paramos por alguns instantes num local muito bonito. Na Talisga ou Fradinho, após percorrida uma escadaria de muitos degraus, pudemos vislumbrar, deste miradouro, a paisagem avassa­ladora que se desenrolava aos nossos olhos. Até à linha do horizonte tudo parecia criado a partir de um conto de fadas. Esta paisagem bucólica, absorveu-nos completamente.
O Jantar foi mesmo por Tabuaço. Já nada nos conseguia mover. Precisá­vamos de recuperar o fôlego.
O convívio foi parte integrante desta viagem.
Regenerados, na manhã seguinte regressamos a Coimbra.
Na escola, durante a semana seguin­te, não falámos de outra coisa. Todos quiseram ver as nossas fotografias. Foi um fim-de-semana que, tão depressa, ninguém o esquecerá.
E Hoje, é fazer planos para regressar uma e outra vez.
Obrigado a todos quantos tornaram possível este fim-de-semana.

Mª Cristina Araújo

HOMENAGEM À DONA ARMINDA - Boletins antigos - Nº 5 - ano 2000

Homenagem à Dona Arminda




Homenagem à Dona Arminda
por: Paulo Monteiro

Faleceu no dia 1 de Março (de 2000) a antiga professora do Ensino Primário Dona Arminda da Conceição Carvalho, conhe­cida por toda a gente da nossa terra como a Dona Arminda. Na última homenagem que lhe foi prestada, durante a missa de corpo presente, a sua colega e amiga Dona Laura Sequeira proferiu as seguintes palavras:

“Educadora sublime, es­posa exemplar, mãe extremo­sa, colega prestável, amiga sincera era assim a Senhora Dona Arminda.
Quarenta e dois anos ao serviço da educação. Desde a Escola de Pinheiros até à Escola de Sendim, passando pela Granjinha e Guedieiros, quantos dos que aqui estão presentes e que passaram pelas suas mãos não recordam aquela Senhora que tão bem os preparou para a vida. Não falo só nos conhecimentos que lhe era imposto ministrar aos seus alunos, mas também na formação que ao mesmo tempo lhes incutia, para que, a exemplo dela, fossem pes­soas de bem, bem formadas que pensassem mais nos outros do que em si próprios.
Vemos esta educação nos seus filhos, que ela tanto adorava e tanto admirava. Ninguém tinha uns filhos como ela e tinha razão. Uns filhos que tanto lhe quiseram, que a adoravam e que ela educou para em primeiro lugar respeitarem os outros e atenderem às necessidades do próximo e só depois se lem­brarem de si mesmos.
Sempre amiga, sempre bem-disposta, contagiava-nos com a sua boa disposição. Com o seu humor espontâneo, leva­va-nos a colaborar nas suas graças. Nunca da sua boca saiu um maldizer, pois para ela ninguém tinha defeitos, só virtudes.
Católica praticante, recor­do-a aqui nesta capela, en­quanto teve saúde para aqui vir, no seu lugar no segundo banco do lado esquerdo, a assistir à missa sempre com o terço na mão como prova da sua devoção a Nossa Senhora. Era presidente do Movimento do Apostolado da Oração.
Hoje não é só a família que fica mais pobre, mas também todos os que aqui estão, pois perderam uma sincera amiga. Fiquemos com o seu exemplo de vida para podermos ultrapassar o desgosto desta perda.”

Este improviso de linguagem simples e acessível, mas cheia de sentimentos, tocou o coração dos presentes que, emocio­nados, não puderam conter as lágrimas que lhes caiam pelos rostos, testemunhando o que lhes ia na alma.


A A. R. T. T. junta-se à homenagem prestada a quem tanto fez pelos filhos da nossa terra.